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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A contadora de estórias


A CONTADORA DE ESTÓRIAS 





Rosemary Amabile

  







  Me vi no futuro, 

  velha e só
  a viver de lembranças,
  tingindo cores 
  em dias sem tons
  sem sons, 
  em cinzas que se fizeram dias.

  Me vi velha e contando estórias
  a inexperientes jovens ouvidos.
  Trazendo brilhos das cores 
  dos meus sonhos
  a outros olhos, a outras mentes.

  Nas urdiduras dos meus contos
  fiz da minha outras vidas.
  As vidas que sonhei e não vivi
  porque me ataram as obrigações,
  porque vivi em trabalhos,
  porque “mala suerte” 
  pôs sua mão sobre mim.

  E me vi no futuro,
  poeta a cantar personagens
  que me procuram noite e dia 
  querendo mais.

  Fantasmas, mágicos!
  Felizes com as estórias 
  de seus amores,
  agora já “vivem” por aí...
  Tem vida! A vida que não vivi


  (não decante o “me vi”, licença poética...)