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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A contadora de estórias


A CONTADORA DE ESTÓRIAS 





Rosemary Amabile

  







  Me vi no futuro, 

  velha e só
  a viver de lembranças,
  tingindo cores 
  em dias sem tons
  sem sons, 
  em cinzas que se fizeram dias.

  Me vi velha e contando estórias
  a inexperientes jovens ouvidos.
  Trazendo brilhos das cores 
  dos meus sonhos
  a outros olhos, a outras mentes.

  Nas urdiduras dos meus contos
  fiz da minha outras vidas.
  As vidas que sonhei e não vivi
  porque me ataram as obrigações,
  porque vivi em trabalhos,
  porque “mala suerte” 
  pôs sua mão sobre mim.

  E me vi no futuro,
  poeta a cantar personagens
  que me procuram noite e dia 
  querendo mais.

  Fantasmas, mágicos!
  Felizes com as estórias 
  de seus amores,
  agora já “vivem” por aí...
  Tem vida! A vida que não vivi


  (não decante o “me vi”, licença poética...)


domingo, 18 de outubro de 2009

Quase...



QUASE...  

  Rosemary Amabile

 









  


  Me agradei de ti, da tua expressão.
  Quis te possuir, desejei
  e busquei, malfadada empreita,
  Seduzir-te, enredar-te em meu destino.

  E te vi impassível e frio,
  surdo aos meus explícitos apelos.
  E já desguarnecida para mais luta
  alijei o que de ti se entranhava 
  em minhas fibras.
  
  E fiquei assim também, como tu, 
  protegida e  protetora,
  na simpática e glacial 
  atenção às tuas síndromes.
  Vejo-te claro agora, assim como tu és.

  Ah! paixão de quase nada,
  que “quase” começou a me cegar.
  Narcótico da mesmice, a paixão,
  doce alucinação.

  Ficas-te sem trono no reino de mim mesma,
  nas plagas amplas 
  em que minh’alma cavalga,
  onde a vontade, qual corcel indômito,
  lança o olhar ao longe no horizonte,
  do infinito de minha mente.

  Essa vontade cria...
  imagens, músicas, estórias.
  Cria palavras...
  Cria felicidade, cria ilusão.


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Saudade

SAUDADE 

         Rosemary Amabile




  



  De vez em quando a saudade aperta muito.
  Dói, me vingo e a aperto também.
  Ficamos enlaçadas chorando juntas.

  De outras vezes ela vem 
  e eu parei no caminho.
  Destas, dou passos contrários ao caminho dela
  para nem com os olhos não me alcançar
  E ela chora sozinha...

  Assim hoje, peguei como agora 
  suas tímidas mãos.
  E juro, foi ela quem escreveu aqui, agora
  com suas mãos feridas
  mas um sorriso na cara!

  Se saudade fizesse bem
  Vendiam-na em farmácias ou docerias
  Haveria perfume com aroma de saudade

  Quem a quer?
  Claro que eu!!!
  Saudade é a alegria faltando agora
  De uma alegria que se viveu.



sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Vôo de Adeus...





         Refletindo, sobre a oportunidade de se libertar de um Carma, de que o Arcano XII, "O Pendurado" nos avisa, às vezes, como nessa poesia que escrevi, basta deixar ir uma situação, sem mais apego, sabendo que o Tempo a curará, resolvida está a situação dentro de nosso peito, mesmo que no momento ainda haja dor, absorvendo a experiência sem rancor, como um aprendizado, como "O Eremita", Arcano IX o faz...


VÔO DE ADEUS... 

    Rosemary Amabile  
     
                                                                                    









 Me despedi de ti
 como quem gentil liberta uma ave,
 mirando no horizonte o traço do vôo
 como dádiva 
 que nunca mais se repetirá.

 O momento que tivemos,
 o que temos, nunca mais se repetirá.
 O amor que eu tenho é sempre meu.
 A capacidade para o amor 
 é minha dádiva.
 Não existe: - Eu tive um amor...
 O amor não se foi com você...
 O amor não se foi com ninguém.


 Continua dentro do peito o amor,
 Por ora com uma dor,
 ficou uma cava,
 como que uma parte de mim 
 de repente arrancada
 que ferida, com o tempo,
 ao longo do tempo se curará.


 Fiz a despedida 
 como um ritual interno.
 Já era tempo!
 Nada mais havia a fazer...
 Já havias ido embora de mim,
 e te foste sem se dar conta
 do que ficou para trás.


 Melhor assim...
 Um não sofre!
 O que ficou mede a curva do tempo
 naquele traçado no horizonte.
 O outro?
 Nem tempo precisará...

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

domingo, 23 de agosto de 2009

Aceito e Monja (Arcano 2 "A Sacerdotisa")






 Poetas... choram mas também maldizem!
 Quem disse que o meu ACEITO 
 é tão resignado?




     ACEITO  


 Rosemary Amabile



 Sucumbi à vontade não maior,
 não melhor do que a minha.
 Sucumbi à tua falta de vontade!
 Desisti dos motivos
 que só me levaram 
 à falta  de felicidade.



 







 Errei?
 Quem me acusar não sabe
 da honra desse amor no peito
 da grandeza desses sonhos da alma.

 Sonhos que plantaste,
 Não podes te escusar a isso!
 Por teus equívocos e desequilíbrios
 te achaste no direito 
 de sujeitar meus sentimentos.

 Erro agora por desistir?
 O quanto tem me custado tentar
 é além da medida do bom senso
 Eu o sei.

 Erraste tu pelo descaso
 à dignidade de quem tu já conhecias.
 Por saber-te covarde, fraco,
 para assumir a meta pretendida.

 Quem semeia vento, 
 colhe tempestade!
 Não terás abrigo!
 Com minha dor o profetizo!
 O Dono do Tempo cobra, 
 Saturno é duro e rígido.

 Marte é bravo guerreiro, 
 a guerra te será mestra!
 Netuno te afogará 
 no mar da tua própria aflição!
 Plutão te provará com o Hades 
 que espalhas nos corações.

 Não recuarei, 
 não volverei o olhar a Sodoma 
 ou Gomorra.
 Não me tornarei em estátua de sal.
 Tenho agudos motivos 
 para não pensar-te mais.
 Fizeste um bom trabalho
 em desmerecer tua imagem.

 Se conselho te chegar aos ouvidos
 Não faças disso mais.
 Sê homem, mantém-te 
 e cuida das tuas escolhas.
 Não se pisa 
 caminhos opostos ao mesmo passo
 sem rasgar as pernas!
 Não me prendo mais, vôo liberta,
 sacudo o pó das sandálias, 
 não levo nada...
 Nada quero julgado bom 
 ou ruim neste momento,
 o Tempo o mostrará depois...-
 Deus sabe de todos os corações.



 Mais visões, Peixes no Ascendente dá nisso...


MONJA ou Arcano II, 

“A Sacerdotisa” 

Rosemary Amabile

 











 No interior do ser,
 dentro do Templo,
 desde imemoráveis épocas 
 me tenho reclusa.
 Repetidas vezes, por vocação
 ou por imposição, me vi reclusa,
 encarcerada sem culpa.

 Vi-me à margem da vida,
 À margem dos regalos 
 e dores das mulheres.

 Não importa se desejos
 se assomam às minhas saias,
 aos meus seios 
 carentes de mãos e beijos.
 Confinada, confinada, confinada.
 Entre livros, 
 emparedada entre cortinas
 que me fecham à vista da vida lá fora
 Oh! Dor de solidão de abraços,
 solidão de murmúrios de amor,
 solidão sob lençóis frios, 
 tão lisos, ordenados.
 Oh! Paredes mudas!

 Houve um tempo, um hiato
 na vida que há tanto tempo levo,
 um homem me amou e me enlevou.
 Arrancou-me gemidos de prazer,
 e pôs um filho em meu ventre,
 que arrancou-me dos braços depois.

 Depois, por muito tempo gemi,
 de dor e rangi os dentes,
 sem quem a advogar minha causa,
 de sofrer cansei, e em vida morri.
 Desisti e continuei em solidão,
 entre paredes... portas... cortinas...





           * Este Arcano do Tarô apareceu durante a segunda  parte da Idade Média, chamado “A Papisa”, “A Abadessa”. Depois, “A Suma Sacerdotisa”, a “Grã-Sacerdotisa”, “Porta do Santuário”. Esotericamente é “A Senhora da Eternidade” e também “A Sacerdotisa da Estrela Prateada”.
          A vida dedicada aos mistérios normalmente exige reservas, privacidade, muitas vezes em algumas escolas ou organizações, privação, nem sempre escolhidas voluntaria ou permanentemente.


terça-feira, 18 de agosto de 2009

Apaziguado e Prece à Graça



 Para contrapor à uma terça feira Marciana,  poesias minhas ...


APAZIGUADO


Rosemary Amabile

 








 Dia feliz,
 meu coração em paz,
 nem ansiedade, tampouco carência
 visitaram-me neste domingo.

 A ler e escrever,
 empenhada a acariciar palavras,
 nem um alguém se permitiu faltar
 Retrata, grava, “salva” este estado
 de ausência de paixão.
 Estar apaziguada é muito bom!

 Choraram ao meu ouvido
 algumas ligações
 Dis-traíram-me com falatório
 algumas vozes.

 Mas nem coração, nem corpo
 pediram-me atenção.
 Vou espiar meus Trânsitos*
 Ah! Trígonos* Netuno-Júpiter
 Júpiter-Sol, que benção.
 E melhor, o “Maior Benéfico”, 
 Júpiter em Trígono com Lua.

 Quero mais?
 A paz dos astros
 iluminando a paz da alma,
 do coração




 *Trânsito, um planeta passando sobre outro  do Mapa Astrológico de Nascimento.
 *Trígonos, Aspecto Astrológico favorável, 
fazendo um ângulo entre dois planetas.






PRECE  À  GRAÇA


Rosemary Amabile




 Pai faça-se em Luz em mim!
 Bafeja Teu hálito em minh’alma.
 E ao inspirar o ar eu seja vida,
 inspirando, seja sabedoria
 e discernimento,
 expirando eu exale amor,
 Teu amor incondicional.


 










 Faça em mim, oh Pai,
 da Graça que por Gabriel*, 
 Maria recebeu,
 faça em mim ser filha de Maria.
 Mãe Divina me cubra com sua Luz!

 Que a Graça me enleve,
 que a Graça me leve aos caminhos
 que meus pés precisam pisar.

 Cubra-me de graça e que 
 docemente eu aprenda,
 Em experiências... suavemente... 
 eu adquira a Luz que posso.
 Fortalece em mim a Tua dádiva,
 E que eu possa fazê-la 
 brotar de minhas mãos.

 Pai, em humildade, 
 ao chão prostrada!
 Joelhos e fronte a pedir 
 a benção das bênçãos,
 pousa em mim a Tua mão.
 Deixa que eu perceba em minha vida
 o Teu amor por mim.

 Que ao inspirar e expirar
 minha vida seja uma oração.
 Que o inspirar e o expirar marquem
 o ritmo do Teu pulsar 
 no meu coração.
 Deixa o meu brado, 
 silencioso em voz,
 atingir o âmago da criação.

 Oh! Pai da Graça!
 Que se dá aos filhos!
 Deixa que eu me banhe 
 no sagrado da Graça.

 Que eu me sagre e a Graça 
 seja a minha proteção.
 Que a Graça me conduza, 
 me induza.
 Que a Graça me complete, 
 me replete.
 Que a minha vida possa ser 
 um estado de Graça!

 * Gabriel, arcanjo que anunciou a Maria a sua maternidade.


Cigano e Distância






CIGANO

       Rosemary Amabile















 Olhar teus negros, lindos olhos, 

 penetrar no desvão do tempo...
 Deixar um longínquo chamado, 
 tanto tempo ausente,
 transportar-me a um amor antigo.

 Por que os amores se desfazem?
 Por que a vida ou a morte nos separam?
 Por que a benção do Eterno 
 não permite ao amor continuar?

 Que fala é essa? Vibra em meus ouvidos.
 A voz eu ouço, mas essas palavras 
 são sons  sem entendimento.
 A mesma voz, tão agradável 
 o som dessa voz!
 Vibra no meu ventre essa voz!

 Os olhos não,
 os olhos riem para mim, riem de mim,
 me acarinham e me ferem.
 Me transtornam, me seduzem.

 Alucinada sinto em mim risos 
 e prantos antigos
 a transpassar-me ainda.
 Graça e desgraça em meu peito
 Não passaram... não se foram.
 Clamam desejo e medo 
 em dores de parto.
 Nasce ou renasce esse amor
 No teu olhar cigano.






DISTÂNCIA 


 Rosemary Amabile














 Idólatra eu escavando tórridas areias
 buscando tua serpentina imagem
 em perdido pretérito 
 soterrado no sem-tempo.
 Arqueólogo obcecado por único tesouro

 Não que aguerrido eu não fosse,
 cobrindo geografias 
 com meus pés e fôlego,
 para buscar onde te encontras,
 e tocar-te como quem 
 desbrava a terra em posse

 Não que destemido eu não fosse
 para singrar a nau, a oceânica separação
 entre teu respirar e o meu
 e arfar em teu corpo, 
 a resgatar-me náufrago da solidão

 Não que impávido eu não fosse
 e espaçonauta, por meus pés 
 em lumes celestes
 a desvendar a qual estrela 
 teu brilho emprestas
 Qual é esse fado que me orienta 
 em desérticas noites?

 Só te falo em letras, 
 a cada dia beijo-te em Ah!
 Deito-me com teu corpo em Oh!
 Possuo-te em Ais!
 A cada dia sou tua em letras.
 E não!
 Pois não há letra 
 que me enxugue os olhos
 Nem que os preencha com a tua visão

 E fiel a tantas exclamações
 inseguras, equilibrando-se 
 num ínfimo círculo.
 Retorço-me em arco e me transformo
 numa interrogação. Ainda insegura!


 Mas curvada em prece
 Oh Eterno! Pai me ouve?
 E entre um ponto ou outro 
 continuo em infinita espera
 No sábio, algoz e mestre, 
 tempo das reticências...