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domingo, 1 de maio de 2011

Dia das Mães





                           DIA DAS MÃES 

                                          Rosemary Amabile


Por que não consigo falar de mãe?
Sempre me encontro pequena e pobre na palavra
Fico sem inspiração...

Busco imagens, quantas mães sagradas
A Grande Mãe! Mãe de todos que buscam abrigo.
Milhões de mães pequenas, anônimas,
heroínas do dia-a-dia.
Pequeninas como eu!

Ah! Minha mãe querida, tornaste do túmulo,
do mundo em que vives de verdade,
e aqui não mais recordo como é.
De onde te senti muitas vezes a visita amorosa,
com um carinho em minha face,
em um doce abraço que em lágrimas recebi.

Ah! Mães, que ausência eterna nos fazem!
Pequenas imitações de Deus nos teus cuidados,
no teu amor.
E apropriado é poder sentir-lhes a falta,
melhor ainda poder declarar-lhes a bondade!

Erramos muitas vezes com elas.
Talvez erraram em algo conosco,
Mas o mais importante é o amor,
E esse é felizmente incondicional...
...






Onde estará o meu doutor?


                      ONDE ESTARÁ O MEU DOUTOR?

                                    Rosemary Amabile



Onde estará o meu doutor?
Preciso que ele examine, mais que o corpo, 
que me toque a alma.

Pode começar me olhando nos olhos,
bem profunda e demoradamente.
Que ele me diga frases de amor por baixo dos cílios.
Mas quero ouvir essas frases na sua voz, 
suave e pausadamente.

Pode ser nesse medicamento 
um carinho de mãos juntas 
e abraços acolhidos no seu regaço?

Ah, como me faria bem 
ouvir o palpitar de seu coração, 
a emoção na sua respiração!

Há algum remédio aí doutor, 
para essas minhas dores?
Existe um vazio aqui a ser preenchido. 
Pode ficar, é seu.
Fique aqui na minha alma! 
Não há lugar melhor para você.

Também tenho um santo remédio para você, 
afinal quem é que não tem alguma dor?
Vamos trocar sorrisos, 
o câmbio está bom, a taxa, ora!!!!
Podem ser beijos e beijos 
e beijos até eu entrar em samadhi.

Podemos trocar silêncios, trocar estórias,
trocar sonhos, trocar projetos, trocar descansos.
Descanso de alma afagada, de alma em idílio.

Troca?
O câmbio está bom, Deus ajuda.
Deus empresta a perder de vista.
E aí doutor! Vai deixar a paciente impaciente?



Dança da felicidade



DANÇA DA FELICIDADE  

Rosemary Amabile

Há dias, perdi a conta...
a poesia lida, me atiça, se esforça
e não dou mão.
Desvio o trilho,
ocupo a mente e o coração.


 















Deixo a doida
largada de lado,
para trás no caminho
donde não chego a lugar algum.


 























Então quase me esqueço
de como é bom esse ritmo.
É som, imagens, sabor.
Na verdade a poesia é quase
a dança da felicidade.









domingo, 20 de fevereiro de 2011

Querubim e Estado de poesiar


                                           QUERUBIM*                                                                               

                          Rosemary Amabile 



  De um querubim saudoso
  e sensível!!!!!!!!!!!!!!!!
  Me vi descrita.
  E escrevendo...

  Querubim a olear as penas.
  Tem pena!
  Querubim te aquieta!
  Trôpega e claudicante
  aonde vais?

  Querubim?
  Sonhos não fazem asas!
  Perdeste o par
  no transmigrar dos mundos.

  Tua asa solitária
  não te fará anjo!
  Tua lágrima que brota,
  não chega ao cerne
  da semente da iluminação!

  Em paragens longínquas
  onde o teu olhar se perde
  saudade, dor indecifrável.
  Dorme agora!
  Em anestesiada agonia
  dorme e sonha
  com o inalcançável.

  Espera sonho! Já é tarde?
  Ouço suave o canto do teu coração.
  Estás ainda aqui? Me ouves?
  Percebo agora não és anjo,
  és ave!
  Teu trinado me abranda,
  teu gorjeio faz feliz meu coração.



 * Querubim, classe de anjos.





ESTADO  DE  POESIAR                             

Rosemary Amabile

  
  
  Poesia! Ah poesia!
  Não tem data
  Não tem para quem.
  Não tem de quem.
  Poesias são sentimentos
  do passado, do presente,
  do futuro!
  Sentimentos de outro alguém!

  Poesia contagia,
  você “pega” de alguém.
  Epidemia, pandemia!
  Tem cura? Cura tem!

  O remédio é escrever!
  Métrica e rima, com ou sem!
  Quem inspirou, já expirou?
  Ou foi só fantasia.
  Alucinação ou obsessão,
  Do poeta “atuado”, pobre coitado!”

  Tem cura? Cura tem!
  Não no “passe”, ou na “mesa”.
  O remédio é outra musa.
  Outra pena, outro penar.
  O remédio ou doença,
  É sempre o estado de amar...