Loading...

domingo, 20 de março de 2016

Indignação

 INDIGNAÇÃO 

Rosemary Amabile  

Cala a boca,
cala a mente,
cala a morte.
Cala a sorte...

Vês e cala a boca?
Cala a mente.
Vês e cala a morte.
Assim cala a minha sorte...

Quem protesta?!
Quem não presta?
Quem tem boca
e que se presta.

Quem protesta?!
Quem defende?
Quem tem boca e se inflama,
e que se presta?!

O que reclama,
o que se inflama,
o que olha,
e se cala,
é comparsa 
sua palavra é só farsa.

O que reclama,
e só comenta
o que olha,
e se cala,
é comparsa 
sua palavra é só farsa.

Se me vês assim ferido, abandonado.
Se me vês maltratado, ultrajado.
Não sabes que sou sem defesa?
Não sabes que tenho vida e ela é frágil?

Sua palavra e sua ação
são o que Deus quer
são Dele a mão.

Não passes apressado, indiferente.
Meu cuidado é prioridade
sobre o que quer que tenhas a fazer.
Tua dedicação é o amor que tenho a receber de ti.

Não me ignores não me deixes!
Preciso, só tenho o teu compromisso.
Arranje um tempo para mim.
Não sabes, não fazes conta
do que te recompensará o destino!

Pai Francisco te lembrará das palavras:

“O que fizer a um dos meus pequeninos, a mim o fará”.

Planando








PLANANDO 

 Rosemary Amabile

Vôo, num plano, sem eira, um planador.
Ganhando o espaço, em vôo livre.
Primeiro alçada, içada pelo guia, o motor.
Depois, cordão umbilical liberto, para a luz, para a vida...
Eu vôo!... Em sonho de ser pássaro.
Ah!... Quem me dera ter as asas da liberdade física,
arremedo de liberdade de espírito.
Eu vou voar!...

Daqui do alto o mundo é bom, o mundo é muito belo.
- Tudo à distância se unifica numa só massa,
o horizonte marca o seu limite físico,
e nesse extremo começa o espaço infinito,
o reino que eu quero.

Daqui de cima não se vêem as mesquinharias,
as misérias, o desamor.
Vou voar no azul, na solidão mais plena.
Vou me soltar e me transformar em ser alado,
Incorporando-me ao metal e dar-lhe vida própria – sonho de deuses!

Débil ser que sou, tento conter o espaço em meu peito, e sou contida.
Tento manter o sonho, reter o momento para gozo eterno.
O espaço, morada dos deuses, nesse momento é meu!



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Dia de retrospectiva

   


  

  DIA  DE  RETROSPECTIVA 
  Rosemary Amabile
                         

  Hoje é teu aniversário
  mais um ano em que aprendeste,
  não importa se sorriste ou se padeceste.
  Importa apenas que passou...

  E o que passou já é pretérito
  que não deve embaraçar o teu presente.
  Não permitas também que o temor
  pelo futuro, te atormente.

  Sê apenas... neste momento,
  bom, compreensivo, sincero.
  E, se fizeres deste instante uma rotina,
  todo o resto te virá, como eu espero.

  Sê completo e autêntico,
  e consideras o instante que passa,
  como o único e oportuno
  para realizar algo, na raça.

  Sem subterfúgios te entrega.
  Não esperes elogios nem compadecimento.
  Existe sempre um Alguém que te vê.
  E tua consciência dará o reconhecimento.

  Se perderes não lamentes,
  porque a perda é o prenúncio
  de um tanto melhor a vir adiante.
  Suponha sempre uma felicidade constante.

  Se magoares alguém
  ou se alguém te ferir também,
  pede perdão... perdoa,
  porque o rancor não te fará mais feliz.

  Sorri ante tudo,
  sorri no rosto e na alma, não importa a tua idade.
  E mantém especialmente, sob qualquer conjuntura,
  em todo o tempo, a serenidade.




Querer







  QUERER  

  Rosemary Amabile  


                                      
  (Prêmio menção honrosa –
  Concurso de Poesia Universitária Cruz e Souza do Est. de S. Paulo/81)

  Queria a paz neste instante,
  a paz de uns braços,
  a paz de um peito,
  a paz de um contato
                             Um contato com você...

  Queria conversar
  sobre coisas banais que nos cercam,
  sobre coisas profundas de nós,
  queria falar sobre o que a gente gosta.
                              E eu gosto de você.

  O que eu quero, o que eu pretendo
  não é quase nada do que estou fazendo,
  muito menos para quem eu me desgasto.
  O que amo é o conhecimento,
  amo o viver intensamente,
                               Eu amo você.

  Espero uma missão mais como um milagre!
  Ah, nem tanto! Mas semelhante a arte,
  com mais jeito de humano,
  Ah, como eu desejaria mais chegada ao Divino!
                               Mais próxima de você.

  Queria livrar meu espírito
  das amarras das obrigações contratuais,
  dos horários, das regras,
  das “necessidades” que me imputaram.
                               E ficar mais com você.

  Não é só por lazer ou por prazer
  mas eu quero folgar...
  Deixar o plástico, a gasolina,
  o diploma, o contrato.
                              Ser mais eu para você.

  Não quero mais a televisão,
  as pessoas aborrecidas,
  o cartão de ponto,
  a matéria de estatística.
                             Só, eu quero você.


  Quero distância do patrão, do vigia,
  do serviço enfadonho, da chefia,
  da obrigação aborrecida,
  da nota de aplicação.
                           A dirigir-me, só você.

  Quero escrever tanto, sempre que tiver vontade,
  cantar, pintar uma imagem.
  Ler, viver nas linhas de um livro.
  Dançar numa paisagem.
                          Quero mais tempo para amar você.          

  Quero andar sem pressa, despreocupada.
  Conversar com quem realmente tiver “assunto”,
  na praça, ou só, na praia,
  num cinema, à vontade.
                          Com vontade de você.



domingo, 1 de maio de 2011

Dia das Mães





                           DIA DAS MÃES 

                                          Rosemary Amabile


Por que não consigo falar de mãe?
Sempre me encontro pequena e pobre na palavra
Fico sem inspiração...

Busco imagens, quantas mães sagradas
A Grande Mãe! Mãe de todos que buscam abrigo.
Milhões de mães pequenas, anônimas,
heroínas do dia-a-dia.
Pequeninas como eu!

Ah! Minha mãe querida, tornaste do túmulo,
do mundo em que vives de verdade,
e aqui não mais recordo como é.
De onde te senti muitas vezes a visita amorosa,
com um carinho em minha face,
em um doce abraço que em lágrimas recebi.

Ah! Mães, que ausência eterna nos fazem!
Pequenas imitações de Deus nos teus cuidados,
no teu amor.
E apropriado é poder sentir-lhes a falta,
melhor ainda poder declarar-lhes a bondade!

Erramos muitas vezes com elas.
Talvez erraram em algo conosco,
Mas o mais importante é o amor,
E esse é felizmente incondicional...
...






Onde estará o meu doutor?


                      ONDE ESTARÁ O MEU DOUTOR?

                                    Rosemary Amabile



Onde estará o meu doutor?
Preciso que ele examine, mais que o corpo, 
que me toque a alma.

Pode começar me olhando nos olhos,
bem profunda e demoradamente.
Que ele me diga frases de amor por baixo dos cílios.
Mas quero ouvir essas frases na sua voz, 
suave e pausadamente.

Pode ser nesse medicamento 
um carinho de mãos juntas 
e abraços acolhidos no seu regaço?

Ah, como me faria bem 
ouvir o palpitar de seu coração, 
a emoção na sua respiração!

Há algum remédio aí doutor, 
para essas minhas dores?
Existe um vazio aqui a ser preenchido. 
Pode ficar, é seu.
Fique aqui na minha alma! 
Não há lugar melhor para você.

Também tenho um santo remédio para você, 
afinal quem é que não tem alguma dor?
Vamos trocar sorrisos, 
o câmbio está bom, a taxa, ora!!!!
Podem ser beijos e beijos 
e beijos até eu entrar em samadhi.

Podemos trocar silêncios, trocar estórias,
trocar sonhos, trocar projetos, trocar descansos.
Descanso de alma afagada, de alma em idílio.

Troca?
O câmbio está bom, Deus ajuda.
Deus empresta a perder de vista.
E aí doutor! Vai deixar a paciente impaciente?



Dança da felicidade



DANÇA DA FELICIDADE  

Rosemary Amabile

Há dias, perdi a conta...
a poesia lida, me atiça, se esforça
e não dou mão.
Desvio o trilho,
ocupo a mente e o coração.


 















Deixo a doida
largada de lado,
para trás no caminho
donde não chego a lugar algum.


 























Então quase me esqueço
de como é bom esse ritmo.
É som, imagens, sabor.
Na verdade a poesia é quase
a dança da felicidade.