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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

domingo, 23 de agosto de 2009

Aceito e Monja (Arcano 2 "A Sacerdotisa")






 Poetas... choram mas também maldizem!
 Quem disse que o meu ACEITO 
 é tão resignado?




     ACEITO  


 Rosemary Amabile



 Sucumbi à vontade não maior,
 não melhor do que a minha.
 Sucumbi à tua falta de vontade!
 Desisti dos motivos
 que só me levaram 
 à falta  de felicidade.



 







 Errei?
 Quem me acusar não sabe
 da honra desse amor no peito
 da grandeza desses sonhos da alma.

 Sonhos que plantaste,
 Não podes te escusar a isso!
 Por teus equívocos e desequilíbrios
 te achaste no direito 
 de sujeitar meus sentimentos.

 Erro agora por desistir?
 O quanto tem me custado tentar
 é além da medida do bom senso
 Eu o sei.

 Erraste tu pelo descaso
 à dignidade de quem tu já conhecias.
 Por saber-te covarde, fraco,
 para assumir a meta pretendida.

 Quem semeia vento, 
 colhe tempestade!
 Não terás abrigo!
 Com minha dor o profetizo!
 O Dono do Tempo cobra, 
 Saturno é duro e rígido.

 Marte é bravo guerreiro, 
 a guerra te será mestra!
 Netuno te afogará 
 no mar da tua própria aflição!
 Plutão te provará com o Hades 
 que espalhas nos corações.

 Não recuarei, 
 não volverei o olhar a Sodoma 
 ou Gomorra.
 Não me tornarei em estátua de sal.
 Tenho agudos motivos 
 para não pensar-te mais.
 Fizeste um bom trabalho
 em desmerecer tua imagem.

 Se conselho te chegar aos ouvidos
 Não faças disso mais.
 Sê homem, mantém-te 
 e cuida das tuas escolhas.
 Não se pisa 
 caminhos opostos ao mesmo passo
 sem rasgar as pernas!
 Não me prendo mais, vôo liberta,
 sacudo o pó das sandálias, 
 não levo nada...
 Nada quero julgado bom 
 ou ruim neste momento,
 o Tempo o mostrará depois...-
 Deus sabe de todos os corações.



 Mais visões, Peixes no Ascendente dá nisso...


MONJA ou Arcano II, 

“A Sacerdotisa” 

Rosemary Amabile

 











 No interior do ser,
 dentro do Templo,
 desde imemoráveis épocas 
 me tenho reclusa.
 Repetidas vezes, por vocação
 ou por imposição, me vi reclusa,
 encarcerada sem culpa.

 Vi-me à margem da vida,
 À margem dos regalos 
 e dores das mulheres.

 Não importa se desejos
 se assomam às minhas saias,
 aos meus seios 
 carentes de mãos e beijos.
 Confinada, confinada, confinada.
 Entre livros, 
 emparedada entre cortinas
 que me fecham à vista da vida lá fora
 Oh! Dor de solidão de abraços,
 solidão de murmúrios de amor,
 solidão sob lençóis frios, 
 tão lisos, ordenados.
 Oh! Paredes mudas!

 Houve um tempo, um hiato
 na vida que há tanto tempo levo,
 um homem me amou e me enlevou.
 Arrancou-me gemidos de prazer,
 e pôs um filho em meu ventre,
 que arrancou-me dos braços depois.

 Depois, por muito tempo gemi,
 de dor e rangi os dentes,
 sem quem a advogar minha causa,
 de sofrer cansei, e em vida morri.
 Desisti e continuei em solidão,
 entre paredes... portas... cortinas...





           * Este Arcano do Tarô apareceu durante a segunda  parte da Idade Média, chamado “A Papisa”, “A Abadessa”. Depois, “A Suma Sacerdotisa”, a “Grã-Sacerdotisa”, “Porta do Santuário”. Esotericamente é “A Senhora da Eternidade” e também “A Sacerdotisa da Estrela Prateada”.
          A vida dedicada aos mistérios normalmente exige reservas, privacidade, muitas vezes em algumas escolas ou organizações, privação, nem sempre escolhidas voluntaria ou permanentemente.


terça-feira, 18 de agosto de 2009

Apaziguado e Prece à Graça



 Para contrapor à uma terça feira Marciana,  poesias minhas ...


APAZIGUADO


Rosemary Amabile

 








 Dia feliz,
 meu coração em paz,
 nem ansiedade, tampouco carência
 visitaram-me neste domingo.

 A ler e escrever,
 empenhada a acariciar palavras,
 nem um alguém se permitiu faltar
 Retrata, grava, “salva” este estado
 de ausência de paixão.
 Estar apaziguada é muito bom!

 Choraram ao meu ouvido
 algumas ligações
 Dis-traíram-me com falatório
 algumas vozes.

 Mas nem coração, nem corpo
 pediram-me atenção.
 Vou espiar meus Trânsitos*
 Ah! Trígonos* Netuno-Júpiter
 Júpiter-Sol, que benção.
 E melhor, o “Maior Benéfico”, 
 Júpiter em Trígono com Lua.

 Quero mais?
 A paz dos astros
 iluminando a paz da alma,
 do coração




 *Trânsito, um planeta passando sobre outro  do Mapa Astrológico de Nascimento.
 *Trígonos, Aspecto Astrológico favorável, 
fazendo um ângulo entre dois planetas.






PRECE  À  GRAÇA


Rosemary Amabile




 Pai faça-se em Luz em mim!
 Bafeja Teu hálito em minh’alma.
 E ao inspirar o ar eu seja vida,
 inspirando, seja sabedoria
 e discernimento,
 expirando eu exale amor,
 Teu amor incondicional.


 










 Faça em mim, oh Pai,
 da Graça que por Gabriel*, 
 Maria recebeu,
 faça em mim ser filha de Maria.
 Mãe Divina me cubra com sua Luz!

 Que a Graça me enleve,
 que a Graça me leve aos caminhos
 que meus pés precisam pisar.

 Cubra-me de graça e que 
 docemente eu aprenda,
 Em experiências... suavemente... 
 eu adquira a Luz que posso.
 Fortalece em mim a Tua dádiva,
 E que eu possa fazê-la 
 brotar de minhas mãos.

 Pai, em humildade, 
 ao chão prostrada!
 Joelhos e fronte a pedir 
 a benção das bênçãos,
 pousa em mim a Tua mão.
 Deixa que eu perceba em minha vida
 o Teu amor por mim.

 Que ao inspirar e expirar
 minha vida seja uma oração.
 Que o inspirar e o expirar marquem
 o ritmo do Teu pulsar 
 no meu coração.
 Deixa o meu brado, 
 silencioso em voz,
 atingir o âmago da criação.

 Oh! Pai da Graça!
 Que se dá aos filhos!
 Deixa que eu me banhe 
 no sagrado da Graça.

 Que eu me sagre e a Graça 
 seja a minha proteção.
 Que a Graça me conduza, 
 me induza.
 Que a Graça me complete, 
 me replete.
 Que a minha vida possa ser 
 um estado de Graça!

 * Gabriel, arcanjo que anunciou a Maria a sua maternidade.


Cigano e Distância






CIGANO

       Rosemary Amabile















 Olhar teus negros, lindos olhos, 

 penetrar no desvão do tempo...
 Deixar um longínquo chamado, 
 tanto tempo ausente,
 transportar-me a um amor antigo.

 Por que os amores se desfazem?
 Por que a vida ou a morte nos separam?
 Por que a benção do Eterno 
 não permite ao amor continuar?

 Que fala é essa? Vibra em meus ouvidos.
 A voz eu ouço, mas essas palavras 
 são sons  sem entendimento.
 A mesma voz, tão agradável 
 o som dessa voz!
 Vibra no meu ventre essa voz!

 Os olhos não,
 os olhos riem para mim, riem de mim,
 me acarinham e me ferem.
 Me transtornam, me seduzem.

 Alucinada sinto em mim risos 
 e prantos antigos
 a transpassar-me ainda.
 Graça e desgraça em meu peito
 Não passaram... não se foram.
 Clamam desejo e medo 
 em dores de parto.
 Nasce ou renasce esse amor
 No teu olhar cigano.






DISTÂNCIA 


 Rosemary Amabile














 Idólatra eu escavando tórridas areias
 buscando tua serpentina imagem
 em perdido pretérito 
 soterrado no sem-tempo.
 Arqueólogo obcecado por único tesouro

 Não que aguerrido eu não fosse,
 cobrindo geografias 
 com meus pés e fôlego,
 para buscar onde te encontras,
 e tocar-te como quem 
 desbrava a terra em posse

 Não que destemido eu não fosse
 para singrar a nau, a oceânica separação
 entre teu respirar e o meu
 e arfar em teu corpo, 
 a resgatar-me náufrago da solidão

 Não que impávido eu não fosse
 e espaçonauta, por meus pés 
 em lumes celestes
 a desvendar a qual estrela 
 teu brilho emprestas
 Qual é esse fado que me orienta 
 em desérticas noites?

 Só te falo em letras, 
 a cada dia beijo-te em Ah!
 Deito-me com teu corpo em Oh!
 Possuo-te em Ais!
 A cada dia sou tua em letras.
 E não!
 Pois não há letra 
 que me enxugue os olhos
 Nem que os preencha com a tua visão

 E fiel a tantas exclamações
 inseguras, equilibrando-se 
 num ínfimo círculo.
 Retorço-me em arco e me transformo
 numa interrogação. Ainda insegura!


 Mas curvada em prece
 Oh Eterno! Pai me ouve?
 E entre um ponto ou outro 
 continuo em infinita espera
 No sábio, algoz e mestre, 
 tempo das reticências...




Sol e Lua




           
   SOL  e    LUA 

          Rosemary Amabile







 Oh amor 

 que a vida me faz querer!
 Não viste 
 que te pulsa forte o peito?

 E longe, qual relâmpago

 a visível perceber.
 Mais longe ainda o som,
 pulsa o peito como um trovão.

 Coração pulsa e dói 
 como marcado a ferro.
 Rasgado, que alegria 
 também fere...

 Saudade é falta 

 nunca preenchida.
 Saudade é vazio, 
 é desterro onde me encerro.

 Por que não vens? 
 Não sabes que amor é cura?
 O que te falta e dói, 
 também a mim traz danos.

 Cura a nós dois e vem! 

 Por que a espera?
 Em espera teço o ninho, 
 em linhas de lindos planos.

 Sentes esse incômodo na alma?
 Nada a sacia, 
 o fio do horizonte a chama.
 Estação e rota, 
 ave instada a migrar.
 A natureza a clama! 
 Volte ao ninho! 
 Volte ao par!

 Vem minha alma, 
 meu complemento!
 Vem meu Sol, 
 vem em exato Grau de Conjunção
 Para que Lua, no céu eu Nova,
 Em carruagem de Apolo, 
 Lua e Sol em união.

 Que digo eu que te convença?
 Que posso eu? 
 Valham-me os gênios, os anjos!
 Tragam-te, por Deus, 
 façam-me arranjos.
 Partilha comigo 
 desta vida o que nos resta!



* Conjunção, Aspecto Astrológico entre dois planetas.

sábado, 15 de agosto de 2009

Dagyde e Sonho de Valsa



DAGYDE  

Rosemary Amabile








 Me pus em letras. Caminhei deosim*

 Agora posso deixar-me estar aqui,

 letras, tal qual Dagyde* que criei.

 Vivo duas vidas,

 a minha e aquela da energia dele.


 Não vivo vida nenhuma.

 Esperar não é vida.

 Esperar é pausa, é hiato.


 Vou matar a minha criação.

 Assassina e vítima de mim mesma.

 Poder viver em sono eterno!

 Ah, se fosse!


 Nem ele, nem eu vivemos do corpo.

 Não se mata a criação!

 Penas e alegrias vão conosco,

 Transporte livre para onde formos.

 Bagagem em baús, pesados,

 Difíceis de arrastar.


 Não criei um servo!

 Criei Dagyde, capataz de meu coração!

 ...



 * Deosim: caminhar em círculo,   sentido horário.

 * Dagyde: ser astral criado a partir do pensamento, do desejo de um mago, para ser incumbido de uma tarefa.







 
E mais uma poesia, sobre uma visão que tive, de mim mesma...

 



O SONHO DE VALSA  
Rosemary Amabile



  Eu sonhei, ou tive uma visão.
  Vi-me tão bela em branco vestido
  de cetim, franzidos e laços.
  Negros cabelos atados em cachos,
  dançantes, ao sabor dos passos.
  Na valsa, descompassado, o coração.

  Em rodopios em meio aos casais
  no deslumbrante salão,
  meus olhos fixos nos teus,
  ardente, minha mão na tua.
  Febril no meu dorso a tua mão.

  Quisera oh música não terminasses,
  quisera dançar para sempre 

  em teus braços.
  Vivo só do encanto de te ver em festas,
  meu elegante cavalheiro
  misterioso, sempre em brancas vestes.

  Atraente que és em porte garboso,
  não convidas à dança a mais ninguém.
  Pedes a mim e mais nada me dizes.
  Ah! sim: - Obrigado, minha dama!

  Meu coração te aguarda até a próxima
  tão ansiada festa.
  Tua imagem repetindo-se na retina,
  teu aroma ainda na pele da minha mão.
  Minha alma apaixonada te espera,
  e devaneia palpitando o peito

  Saudades doem
  se não fossem as valsas
  doces valsas, sonhos de valsas
  a embalar meu coração.