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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Cavalgada - poesia pela liberdade





                                                                   CAVALGADA    


     Rosemary Amabile  



Sem me conter no peito,
o peito salta à frente
onde cabe a grande vontade
de montar em mim e disparar
sem freio, pela vasta planície da vida.

Cavalgar veloz a reaver
os tempos em que pasmada
fiquei a olhar minha vida
feito platéia de mim.
E feroz reaver 
o personagem que não vivi.

De tantas mortes mal feitas,
inacabadas mortes 
que a vida fez em mim.
Sobrei renascendo em feridas:
-Não rela que ainda dói!...

Desejo, de sair daqui, sair de mim!
Burlar esses arranjos que a vida fez.
Arranjos em que eu embarquei
qual viagem malfadada,
qual morte anunciada.

Ah! Alazão de mim queima o chão!
E larga atrás o pó dos cascos!
O pó dos arreios do passado.

Sorve pelas narinas a liberdade,
o aroma das quimeras, dos sonhos.
Arfa os pulmões plenos dessas nuvens
e campearás nos céus,
qual Pégasus* alado,
qual Pégasus tornado Constelação.




*Pégasus, da Mitologia Grega, cavalo alado transformado em constelação. 

          
          Em nome da devoção pelas criaturas do reino animal, as quais a cada uma devemos o respeito e o amor, de quem sabe que nos estão à mercê também e principalmente pela responsabilidade do trato que a elas nos cabem.
     Não podemos esquecer que a Lei da Ação e Reação abrange o tratamento que dispensamos a qualquer dos seres vivos e a humanidade sofre aquilo que ela impinge aos demais. Basta olhar com olhos de ver, e sentir com o coração.
          Está em nossas mãos ser também a voz em defesa da dor e sofrimento que vemos nos animais à nossa volta.  Os cavalos que tão obedientemente servem em carroças, charretes e como montarias, muitas vezes puxando peso além do que a sua força suporta, somados  ao pouco alimento e água à disposição, usualmente trabalhando a mais do número de horas que podem suportar com alguma saúde, à base de chicote e padecendo negligências de proprietários e de usuários quanto ao bem estar que lhes seria saudável. 
          Quando no turismo desfrutamos deles, somos coniventes com seus carrascos.            
          Observe, critique, denuncie.         
        
        Um cavalo literalmente morre de dor com muita facilidade, mas muitos morrem porque quando doentes ou velhos e não servem mais, são abandonados em estradas à própria sorte, à própria dor...